Tuberculose

Hoje vou falar sobre tuberculose, se quiser saber mais sobre a doença em si, leia no post que eu falo do que é a tuberculose, esse post é relacionado à como foi conviver com ela.

Passado o episódio do retorno do hospital (contarei essa história no próximo post), achei que finalmente a minha luta tinha acabado e eu iria ter um pouco de paz. Mal sabia eu que a minha luta ainda não tinha acabado.

Como ela chegou

Ela chegou de mansinho, no início parecia uma “tossezinha” inocente, essas que aparecem sem um motivo aparente,  na semana seguinte, a tosse, além de ter piorado, evoluiu para o que parecia ser uma gripe. A tosse começou a ficar mais forte, eu começava a sentir dores no corpo, principalmente nas costas (na região do pulmão). Na outra semana comecei a ter febre todos os dias no final da tarde e suores noturnos, acordava no meio da noite com os lençóis encharcados de suor (e era inverno), comecei a sentir enjoo na hora de comer alguma coisa, fiquei absolutamente sem apetite,  tudo me enjoava, e eu pensava comigo mesmo que eu deveria me alimentar por que não podia ficar enfraquecido por causa da minha imunidade. Aí eu me forçava a comer, mas certa vez fiz isso e acabei vomitando. Na época eu era fumante e como tudo me enjoava, acabei usando isso para parar de fumar. Mas até então, eu ainda achava que tudo era uma gripe forte! Que iria passar com remédios para gripe! E continuei a tomar os meus anti gripais na esperança de melhorar. Na semana seguinte, me sentia muito fraco, eu não me alimentava e por consequência, eu perdia peso à cada dia. Isso me deixou bastante preocupado, voltei ao meu médico e expliquei  pra ele tudo que havia ocorrido, na mesma hora (baseado nos sintomas que eu relatei pra ele) ele já me solicitou um exame de escarro, um teste de Mantoux (que é um exame que se faz para saber se está com tuberculose), e um raio X do pulmão. 3 dias depois, já tinha o resultado de todos os exames. Estava com tuberculose!  Meu médico me explicou que a tuberculose felizmente tem cura, mas que o tratamento teria que ser seguido à risca com antibióticos muito fortes com efeitos colaterais horríveis (isso me soou familiar). Que o tratamento durava seis meses e que nos primeiros 15 dias do tratamento eu deveria evitar o contato com outras pessoas, usar máscara descartáveis para que eu não passasse isso pra ninguém.

Quando ele me disse isso, achei que ia ter que ser internado no hospital novamente e que dessa vez iria ficar isolado. Mas não foi o que aconteceu, ele me instruiu no sentido de que todo o tratamento e o acompanhamento é feito por um posto de saúde especializado em tuberculose e até mesmo a medicação da tuberculose eu deveria retirar por lá (a medicação também é gratuita).  Ele me encaminhou para o posto de saúde do meu bairro com a receita médica dos antibióticos que eu deveria tomar e uma receita para comprimidos de vitamina b1 que eu deveria tomar durante todo o tratamento, pois os antibióticos davam muitas dores nas pernas. Ele ainda me alertou que um dos principais efeitos dessa medicação é que urina e fezes saem avermelhadas, que não era pra eu me assustar, e que também o remédio ia me dar muita fome.

O tratamento…

No dia seguinte ao que fui ao meu médico, lá estava eu no posto de saúde no qual ele havia me indicado, chegando lá, fui muito bem recebido, nem parecia sus. Passei por uma primeira enfermeira que me cadastrou e pegou meus dados de contato, além de me pesar, me pediu para que eu colhesse uma amostra de escarro para fazer acompanhamento (eram necessárias 3 amostras durante o tratamento. Depois que colhi a amostra e me pesei a enfermeira me encaminhou para uma sala de espera para que eu aguardasse ali, pois a médica pneumologista que iria acompanhar o meu caso ia me chamar. Fiquei ali, aguardando na sala de espera por uns 30 minutos. Fui chamado em uma outra sala, a Dra que me atendeu, a Dra Carla, era muito legal e atenciosa.

Lá, ela me explicou novamente que felizmente a tuberculose tem cura, mas que muitos pacientes voltam a ter por que não seguem o tratamento. Que é de 6 meses. Me falou da importância de se seguir o tratamento certinho sem falhas e que eu teria voltar todo mês no posto de saúde para pegar os remédios e fazer o acompanhamento enquanto durasse o tratamento. Me falou que nos primeiros 15 dias eu ainda corria o risco de transmitir para outras pessoas, nesses primeiros 15 dias eu deveria evitar ao máximo o contato com outras pessoas, e se o fizesse, eu deveria usar máscaras descartáveis para falar com outras pessoas (isso eu já estava fazendo) e também não poderia compartilhar objetos pessoais como talheres, roupas de cama e banho. Me disse ainda, que todos que moravam comigo, deveriam ir lá para fazer o teste da tuberculose, bem como raio x de pulmão. Inclusive me perguntou o nome de todas pessoas que moravam comigo. Reforçou de que era importante de eu seguir o tratamento e que somente ela poderia me “dar alta” do tratamento. me ofereceu até vale-transporte caso eu não tivesse condições de ir no posto buscar os remédios e fazer o acompanhamento. Eu achei aquilo muito legal, pois muita gente não tem condições mesmo de ir até o posto para fazer o acompanhamento (graças à Deus eu tenho). Mas achei muito legal a iniciativa. E ligavam pra minha casa todos os meses um dia antes da consulta para me lembrar que no dia seguinte eu tinha consulta e para saber como eu estava. Me senti fazendo o tratamento em uma clínica particular.

Depois disso, ela me explicou como funciona o tratamento, nos 2 primeiros meses  é chamado de fase de ataque onde atacamos o vírus da tuberculose com mais força, com antibióticos mais fortes (eu tomava 3 comprimidos por dia). e no final desses 2 meses pedia-se um novo raio x do pulmão e coleta de escarro para acompanhar a evolução. Nos 4 meses seguintes do tratamento é chamado de fase de controle, onde diminui-se a quantidade e a intensidade dos antibióticos (nessa fase eu tomada 2 comprimidos por dia). Ela me disse que depois dos primeiros 15 dias de tratamento eu poderia parar com o uso das máscaras e poderia voltar a falar com as pessoas normalmente que não havia mais risco de contaminar outra pessoas. E que no final da fase de controle eu deveria fazer um último exame de pulmão e uma última coleta de escarro, se estivesse tudo bem, eu ganharia “alta” do tratamento.

Ganhei uma “mini-agenda” onde a Dra já anotava a data da minha próxima consulta, bem como meu peso atual e a medicação que eu estava tomando, essa “mini agenda”, eu deveria trazer comigo durante todo o tratamento. Feito isso, ela me encaminhou para outra sala e outra enfermeira que me deu os remédios que eu deveria tomar (exatamente na quantidade de comprimidos até minha próxima consulta no posto de saúde).

Os efeitos…

Fui instruído a tomar os comprimidos durante o almoço, DURANTE (nem antes, nem depois) para diminuir a propensão à enjoos e diarreia. No primeiro dia que tomei os comprimidos, não senti absolutamente nada.  mas eu continuava com aquela tosse e falta de apetite que já estava sentindo. No segundo dia, acordei e fui direto para o banheiro para fazer minhas necessidades diárias matinais, e parecia que eu esta urinando sangue, logo de cara, fiquei muito preocupado! Mas depois lembrei que me médico já havia me alertado que as fezes e urina iriam mudar para uma cor bem avermelhada e que poderia parecer sangue. Lembrando disso fiquei mais tranquilo. Tive também diarreia a vômitos ocasionais e dores nas pernas por conta dos remédios. Eles eram realmente muito fortes.

3 dias depois que eu já estava tomando os comprimidos, eu já me sentia mais forte, meu apetite estava voltando (e em dobro) e já não tossia tanto.  Segui com o tratamento e o acompanhamento mensal com a médica. No final fiz os exames necessários e estava tudo bem. Hoje vejo a doença como mais uma barreira que venci. Não foi fácil enfrentar isso mas venci e tenho orgulho disso. E acho que se hoje estou aqui para contar essa história, acho não, tenho certeza, é porque eu segui as orientações médicas à risca! É muito importante que você confie e siga as orientações do seu médico.

A cura da tuberculose também depende de você!!

Autor do Post Jeff

Eu sou o Jeff! Muito prazer! Sou soropositivo há 15 anos. Levou bastante tempo até eu aceitar essa minha nova condição e realidade, e depois de alguns percalços da vida eu levo uma vida boa e feliz! Criei esse blog para tentar te mostrar, que a vida é muito maior do que um mísero vírus e que não podemos fazer nossa vida girar em torno disso.

2 Comentários em “Tuberculose

    Marcos ( 09/04/2016 - 2:35 PM )

    Boa tarde fiquei emocionado com o seu blog meu meu causa igualzinho o seu meu caso é ser menos semelhante ao seu faz um ano que eu passei a mesma mesma coisa só que até o momento não melhorei ainda não ainda não estão dando faço Fisioterapia ou três vezes semana também mas não anda ainda

      Viver com HIV ( 09/04/2016 - 7:26 PM )

      Marcos,

      Quanto tempo tu já tá assim?? Tu tem LEMP também??

      Um abraço

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